FANTASMA DO BANHEIRO


Gerson sempre foi um pai agressivo, mas nunca tinha ficado tão irritado quanto naquele dia. Segurava seu filho com força pelos braços depois de tê-lo pego mijando no quintal de casa.
- Não criei maloqueiro pra mijar fora do banheiro! Essa casa não é imundície – disse Gerson ao seu filho, William.

Mas, pela primeira vez, não bateu no garoto como de costume, apenas o arrastou para dentro de casa pelos braços, enquanto William chorava.

Gerson estava furioso desde manhã, já que teve que sair do serviço mais cedo para buscar seu filho, quando fora chamado na escola porque William e seus amigos estavam amedrontando as outras crianças, contando as histórias de um tal fantasma do banheiro da escola que eles invocaram, algo que a diretora julgou ser uma brincadeira de mal gosto.

- William, sua mãe disse que não era mais pra eu te bater, mas isso não vai ficar assim.

- Desculpa, pai. Tive que mijar lá fora pra ela não me pegar – diz William, chorando.

- Sabe, eu tinha medo de aprender a nadar, mas um dia meu pai me jogou no lago e perdi esse medo – Gerson, ainda segurando seu filho pelos braços, caminhava em direção do banheiro – E não vejo outro jeito de resolver isso - Gerson jogou o pequeno William para dentro do banheiro de casa e trancou o jovem, enquanto escutava seus gritos de desespero.

- Pai, por favor, me desculpa! Abre a porta! Ela vai vir me pegar! Pai, socorro!

Do outro lado da porta, Gerson apenas observava e escutava os gritos de seu filho.

- Você pode até estar assustado agora, mas vai me agradecer por isso.

Tão logo pronunciou essa frase e um barulho estranho vindo do banheiro chamou sua atenção.

- Pai, ela está aqui! Pelo amor de Deus, me tira daqui! Mãe, socorro! Mãe, cadê a senhora...?

- Para com isso William! Não tem ninguém aí!

William se silenciou e parou de bater na porta. Gerson chamou o garoto algumas vezes – William, William? Responda seu merdinha, se não eu entro aí - Mas o jovem não o respondia. Gerson abriu a porta do banheiro e viu seu filho no chão, com a pele esbranquiçada, olhos arregalados quase saltando das órbitas de sua face; sua boca estava escancarada, com a língua para fora; William estava sem vida, molhado dos pés à cabeça. O lugar estava impregnado com um cheiro horrível como se o cadáver do jovem estivesse lá há dias. 

Gerson, estático, encarava a imagem de seu filho, quando um barulho fez com que olhasse para a pia, ainda a tempo de ver uma enorme mecha de cabelo escorrendo para dentro do ralo.


Por: Mudo


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